Ontem tive uma experiência chata pra cacete. Fomos ao velório e enterro de um tio meu, um cara que a maioria das pessoas achava que ia viver muito, mas que o câncer levou de forma rápida e dolorosa. Enfim, o post de hoje é para falar um pouco das situações que fiquei reparando no comportamento das pessoas que lá estavam.
A minha família é relativamente grande e esses eventos são as oportunidades que eu tenho de rever a maioria deles todos e relembrar porque eu faço questão de não visitá-los. Até comentei com o meu irmão que é uma força descomunal ter que falar oi para alguns que estavam lá. A vontade primária é sair distribuindo tapa e pontapé na cara de cada um. Tem algumas poucas pessoas que valem a pena nessa família, mas elas ficam camufladas no meio do bando de calhordas que resolveu nascer com o mesmo sobrenome e com alguma relação co-sanguínea.
Aos fatos:
Acho que pelo fato de ter o João Franciso agora, ver a batian chorando ininterruptamente por chegar aos 100 anos e ter de enterrar o filho querido me foi bastante forte e triste. Quisera eu que no meu caso a vida siga a sequencia natural das coisas que é o filho enterrar o pai. Deve ser uma dor sobrehumana um troço desses.
Já que estamos falando de tristeza, ver a minha tia curvada aos pés do caixão dizendo ao meu tio “obrigada pela vida que tivemos juntos” foi uma coisa especial. Não esperava ver uma cena tão tocante como aquela. Para mim aquilo foi uma mistura de sentimentos. Foi triste demais porque era a despedida deles, foi um gesto bonito pra caramba e foi uma mega lição de vida. Ao final das contas, estamos aqui para isso mesmo, não é isso? Depois disso ela ainda pediu para os filhos agradecerem ao pai e ao neto para agradecer ao ditian por tudo. Achei foda, com o perdão da palavra.
Voltando aos parentes que a gente tenta esquecer, reparei somente ontem que somos sempre os mesmos no meio de um monte que se voluntariam a fechar e carregar o caixão, independente da distância. Sei lá, é a última coisa que você pode fazer pelo seu parente, não é? Sempre sou eu, meu irmão e três primos que se voluntariam a isso. Foi assim com o meu tio, com meu outro tio, minha batian… No caso da minha batian por parte de pai, além de carregar eu ainda ajudei a enterrá-la porque naquele pequeno cemitério do interior de Minas Gerais, a tradição é que os familiares que façam o enterro. Meio estranho, mas tinha que ser feito. Sempre os mesmos a carregar e sempre os mesmos a se fazerem de tontos saindo de lado. Gente esquisita pra cacete, isso sim.
Nem sei porque estou escrevendo isso e nem sei se está fazendo muito sentido mas precisava compartilhar esse turbilhão de coisas que passou pela minha cabeça nesse fim de semana.



