Ou tonto, infeliz, utópico e mais qualquer outro adjetivo besta que você queira me chamar. Sempre acreditei em um mundo que talvez seja utópico mesmo. Um mundo sem dinheiro e que seria mobilizado pela vontade das pessoas de conviverem em sociedade, com todos os esforços que isso precise e com todos os percalços que a vida traz.
Não sei se vocês acompanharam o episódio do roubo da Bicicloteca. Aos que não acompanharam eu vou fazer um pequeno resumo. Robson Mendonça, morador de rua, mora no centro de São Paulo próximo à biblioteca Mario de Andrade. Pela proximidade da biblioteca ele teve acesso a alguns livros e acabou se apaixonando pela literatura. Gostou tanto que achou que deveria transmitir aquela paixão e conseguiu montar a bicicloteca que é, nada menos que uma bicicleta adaptada com um baú atrás cheio de livros que ele distribui para a população de rua com um único pedido: Passe o livro adiante assim que acabar de ler.
Pois bem, a bicicloteca foi roubada por um nóia, fumador de crack e o Robson passou três dias sem dormir procurando a bicicloteca por tudo quanto é canto do centro de São Paulo. Com essa história as pessoas começaram a se mobilizar pelas redes sociais, blogs, vimeo, rádio e qualquer outra mídia que aparecesse na frente. Num primeiro momento houve uma espécie de caça ao tesouro para tentar descobrir o paradeiro da bicicloteca. Depois as pessoas começaram a se mobilizar para juntar dinheiro para uma nova bicicloteca e logo em seguida houve uma mobilização para doação de livros para o Robson. Conseguiram dinheiro suficiente para comprar e adaptar uma nova bicicloteca, uma grande editora (não lembro agora qual) se prontificou a doar montes de livros, pessoas comuns se juntaram para entregar os livros.
Dezesseis dias depois encontraram a bicicloteca, meio estrupiada, no Brás e entregaram para o Robson. A Bicicloteca vai voltar à ativa, vai fazer a diferença para um monte de gente de novo.
E a ideia é essa. Durante todo esse tempo, as pessoas que ajudaram o Robson se mobilizaram, criaram meios interagir umas com as outras, foram atrás de doações (livros, tempo e dinheiro), foram atrás de empresas e editoras, conseguiram recursos. Tudo sem pensar no lucro próprio ou na auto-promoção ou algo que o valha.
Viu como dá para viver sem pensar exclusivamente em “se dar bem”, em lucro, dinheiro a qualquer custo?