Carros vs. Motos

Fui convidado por um amigo meu para fazer um debate que será filmado, editado e publicado no Vlog dele. Esse vlog é um registro que ele faz do dia-a-dia de um motociclista de São Paulo que tem duas motos. No começo eu achei o vlog incrível, mas depois eu comecei a achá-lo meio mala, de verdade.

Existe uma discrepância incrível de opiniões dos motociclistas sobre os motoristas e vice-versa. O problema de ser mala por parte do meu amigo é ele generalizar tudo, como se os motociclistas fossem anjos bondosos que vieram dos céus montados em seus veículos de duas rodas enquanto os motoristas são criaturas diabólicas que não querem ir de um lugar ao outro na ciadade, eles querem mesmo é atrapalhar a vida dos anjinhos motociclistas. Menos, né?

Acho que o debate vai ser bom, mas já vou avisando que eu pretendo ser escroto.

Alguém aí que lê essa bosta de blog tem uma opinião sobre o assunto?

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E depois tem gente que me chama de doido

Ou tonto, infeliz, utópico e mais qualquer outro adjetivo besta que você queira me chamar. Sempre acreditei em um mundo que talvez seja utópico mesmo. Um mundo sem dinheiro e que seria mobilizado pela vontade das pessoas de conviverem em sociedade, com todos os esforços que isso precise e com todos os percalços que a vida traz.

Não sei se vocês acompanharam o episódio do roubo da Bicicloteca. Aos que não acompanharam eu vou fazer um pequeno resumo. Robson Mendonça, morador de rua, mora no centro de São Paulo próximo à biblioteca Mario de Andrade. Pela proximidade da biblioteca ele teve acesso a alguns livros e acabou se apaixonando pela literatura. Gostou tanto que achou que deveria transmitir aquela paixão e conseguiu montar a bicicloteca que é, nada menos que uma bicicleta adaptada com um baú atrás cheio de livros que ele distribui para a população de rua com um único pedido: Passe o livro adiante assim que acabar de ler.

Pois bem, a bicicloteca foi roubada por um nóia, fumador de crack e o Robson passou três dias sem dormir procurando a bicicloteca por tudo quanto é canto do centro de São Paulo. Com essa história as pessoas começaram a se mobilizar pelas redes sociais, blogs, vimeo, rádio e qualquer outra mídia que aparecesse na frente. Num primeiro momento houve uma espécie de caça ao tesouro para tentar descobrir o paradeiro da bicicloteca. Depois as pessoas começaram a se mobilizar para juntar dinheiro para uma nova bicicloteca e logo em seguida houve uma mobilização para doação de livros para o Robson. Conseguiram dinheiro suficiente para comprar e adaptar uma nova bicicloteca, uma grande editora (não lembro agora qual) se prontificou a doar montes de livros, pessoas comuns se juntaram para entregar os livros.

Dezesseis dias depois encontraram a bicicloteca, meio estrupiada, no Brás e entregaram para o Robson. A Bicicloteca vai voltar à ativa, vai fazer a diferença para um monte de gente de novo.

E a ideia é essa. Durante todo esse tempo, as pessoas que ajudaram o Robson se mobilizaram, criaram meios interagir umas com as outras, foram atrás de doações (livros, tempo e dinheiro), foram atrás de empresas e editoras, conseguiram recursos. Tudo sem pensar no lucro próprio ou na auto-promoção ou algo que o valha.

Viu como dá para viver sem pensar exclusivamente em “se dar bem”, em lucro, dinheiro a qualquer custo?

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Estamos mal acostumados!

Nós brasileiros, ou melhor dizendo, nós paulistas somos muito mal acostumados. Estamos sempre correndo, estamos sempre atrasados e de vez em quando somos pegos pensando em ter um dia de 30-40 horas. Na verdade eu acho que nós deveríamos pensar em ter menos atividades por dia, mas isso é um assunto para um outro post.

Lembra do casamento do casal de amigos que eu fui fotografar? Pois bem, eles foram passar a lua-de-mel em Nova York (até onde eu sei a grafia é essa mesmo, terrível) e eu, como bom muambeiro, pedi para que eles trouxessem umas coisas pra mim. Para não atrapalhar mais do que já estaria atrapalhando (lua-de-mel, lembram?), eu decidi que compraria em algum site e pediria para entregar no hotel onde eles se hospedaram.

Quando nós, sulamericanos, pensamos em sites de vendas nos EUA, quais são os primeiros que vem à cabeça? Não sei de vocês, mas para mim são Ebay e Amazon. Não achei nada interessante no eBay, muito por conta do shipping que os caras colocavam lá para as coisas que eu queria. Fui pra Amazon e tinha lá um shipping que era caro pra caralho mas que chegava em dois dias e um outro que não era tão caro e que chegava em até quatro dias. Como o meu prazo era de seis dias até que o meu casal de amigos saísse de Nova York, eu optei pelo shipping de até quatro dias. Pois é, os meus amigos partiram de Nova York ontem e o pacote ainda não chegou. Ontem mesmo eu entrei em contato com a Amazon para tentar pedir uma explicação e ouvi um “sinto muito, mas é assim, atrasou.”. Se fosse no Brasil eu ia xingar muito no twitter, postar no reclameaqui.com.br, abrir chamado no procon e o escambau. Mas, Amazon.com , nos EUA, eu vou fazer o quê? Mandar e-mail pro Procon-NY? Entrei em contato com o SAC deles e conversei com um atendente que, mesmo sentindo que eu estava mega estressado, não perdeu a educação, não tirou o dele da reta e resolveu o meu problema em dois minutos, com a desculpa de que ele tinha percebido como a minha experiência na amazon tinha sido frustrante e que por conta disso ele ia fazer o pedido de reembolso da minha despesa imediatamente, mesmo não sendo o procedimento padrão da empresa.

Estamos mal acostumados porque, por conta dessa pressa maldita, as empresas se estruturaram em um nível ridículo, que você compra em um dia, paga pelo shipping normal e recebe o produto em casa no dia seguinte. Já tive experiências assim com submarino, americanas, livraria cultura, saraiva, netshoes, e por aí vai…Não é mérito de uma empresa exclusiva ter um envio quase imediato. E os Correios trabalham bem também, ou o Sedex10 não é um puta serviço foda?

Ao mesmo tempo estamos mal acostumados porque diante de uma experiência ruim com um site/empresa, corremos para tentar tornar pública essa experiência ruim, seja por meio de sites especializados, redes sociais (twitter, facebook, etc), blogs, jornais, etc. Porque sabemos que se falarmos com o SAC, vamos nos deparar com um bando de chimpanzés treinados que foram programados para seguir um script e se esse script for alterado o sistema deles trava. Aí somos mal tratados, somos levados à beira da loucura, batemos com a cabeça na mesa, xingamos e todo o resto.

Fim da história. Era isso. Fiquei sem as minhas encomendas, mas não perdi o dinheiro. De uma experiência ruim num site estadunidense eu consegui aprender que no relacionamento com o cliente é possível fazer algo eficiente.

E vamos esperar até outro brother ir pros EUA pra tentar comprar algo de novo porque eu mesmo não quero ir pra lá e nem tenho como…

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A desmistificação da fotografia

Esse acesso fácil à fotografia é uma faca de dois gumes.

Acho importante pra caralho que as novas tecnologias sejam acessíveis a todos, independente se o cara tem recursos financeiros ou não, mas como tudo nessa vida, os exageros são incompreensíveis pra mim.

Ontem, fui fazer as fotos do casamento de uns amigos. Eu estava lá como um dos fotógrafos oficiais do evento, então eu tinha acesso a TUDO que se acontecia no casamento. Se eu quisesse, entraria no banheiro junto com o noivo pra fotografar a primeira mijada de casado do cara.

Pois, no meio de todo o nervosismo que envolve fotografar um casamento, ainda mais de um casal de amigos muito queridos, eu e os outros fotógrafos ainda encontramos problemas com “fotógrafos gatunos” atrapalhando o processo. Quem, sinceramente, acha normal um padrinho sair da posição no altar para filmar o casamento? Pìor, o cara se posicionou num lugar ridículo, no meio do “cenário” e ficou lá todo pimpão filmando o lance. Sabe aquela foto clássica do altar, com os padrinhos alinhados e a cerimônia correndo? Pois é, ficou com um buraco do padrinho filmador e o altar ficou poluído com um personagem filmador com roupa de padrinho lá no meio e ainda com uma filmadora amadora na mão. Dou meu saco a tapa se essa filmagem ficar boa, sério.

Em outras situações, eu e o outro fotógrafo tivemos que ficar esperando até que aquele bando de parente e amigo parasse de disparar flashes para conseguirmos fazer as fotos. Nisso me surgiu umas perguntas na minha cabeça e uma delas é sobre a utilidade disso tudo. Para ser o primeiro a postar as fotos no facebook? Para mostrar pros seus amigos que você foi bem chique num casamento? Na boa, você que leva câmera compacta em casamento e fica atrapalhando os fotógrafos, você acha realmente que a sua foto vale mais que as fotos dos caras que foram contratados, pagos e que vivem disso? Ou que você é mais importante para o momento?

Não estou ainda nem questionando a qualidade da coisa toda e talvez eu nem deva começar a falar sobre isso mesmo para não causar um furor do pessoal que acha que a câmera é que faz uma foto boa e não o fotógrafo. Cansei de ouvir de pessoas vendo fotos minhas a clássica “Nossa, mas a sua câmera é boa mesmo, hein?”.

Não me acho um super fotógrafo, nem acho que eu seja um bom fotógrafo. Na verdade, sou um fotógrafo bem mediano e olhe lá, mas as minhas fotos são bem melhores que 90% das pessoas que nunca estudaram fotografia.

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Traidor do movimento

Cacetada!

Como sempre faço aqui no blog, eu fico um tempo matutando sobre um assunto, escrevo alguns rascunhos algumas vezes e quando a minha paranóia deixa eu junto tudo e tento concluir de alguma maneira.

Portanto, vamos para algumas divagações.

Descobri, há uns meses mais ou menos, que eu sou um traidor do movimento! Pois é, com todas essas palavras. Segundo a mensagem que eu recebi pelo facebook, eu deixei de apontar o dedo na cara do sistema, pelo que constam dos autos por aí. E acho que a partir desse episódio hilário para não chamá-lo de qualquer outra coisa, eu comecei a pensar em algumas outras coisas. É impressionante como as pessoas desenham uma vida para as outras a partir de impressões esquisitas e acabam concluindo da forma mais esdrúxula possível. Gostaria de saber onde está escrito que eu estou bem de vida, ganhando rios de dinheiro e que o meu trabalho consiste em maquinar formas indecentes de tirar dinheiro dos pobres para dar às companhias ricas e inescrupulosas do mundo? Sério, concluir isso a partir de uma suposição que surge no meio de uma conversa de bar é tão babaca quanto se considerar punk devastador do sistema ao mesmo tempo em que fica jogando no XBox de última geração com o kinect instalado e o diabo a quatro. Ou será que o Xbox deixou de ser da Microsoft ou a Microsoft deixou de ser um dos símbolos do capitalismo imperialista estadunidense?

Nos últimos meses tenho pensado e repensado todos os dias sobre o que fazer com a minha vida. E cada vez mais eu tenho concluído que eu preciso fazer algo diferente do que eu faço, mas não é tão simples assim. Com casa, família, filho e tudo mais para cuidar, não posso mais me dar ao luxo de tentar uma aventura que pode ou não dar certo. As coias básicas da vida como comer, cagar e dormir estão ficando cada vez mais caras. Hoje, uma visita ao mercado para as compras da semana custa muito. “Fazer” a feira custa caro também. As tarifas de água, luz, gás, telefone, custam cada vez mais caro.

Como dizem aquelas piadas sem graça que rolam por aí, eu gostaria que a minha vida fosse do jeito que as pessoas falam que ela é. Porque do jeito que ela realmente é hoje, tá foda.

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Não pare de estudar e ponto final

Tenho, já há algum tempo, batido na mesma tecla sobre a educação. Eu acredito incondicionalmente que a educação é uma das melhores, senão a melhor, alternativas para transformação social. Não estou querendo dizer ascensão social e sim transformação social mesmo. Uma pessoa que tenha desenvolvidas suas capacidades cognitivas tende a entender e conviver melhor com as situações que a vida sempre traz, é capaz também de entender quando se diz que a vida não é exata como a matemática. A compreensão das adversidades da vida é o primeiro passo para conseguir reagir e mudar o curso das coisas. Compreender, significar ir um pouco mais além do que culpar os outros simplesmente ou resumir o insucesso por conta de intervenções divinas.

Tendo dito isso, voltemos à educação. Por mais que seja um incurável defensor da educação, eu não acredito mais no modelo atual de escola. Custa-me a concordar com um sistema que foi criado a partir de um modelo industrial, que equipara o conhecimento, aptidões, talentos e vontades de todos. Afinal de contas, todo mundo entra na escola, vai passando de fase em fase como numa esteira de fábrica pelas “séries” e salas de aula e, ao final desse processo escolar, temos uma população que concluiu o ensino médio e se transformou num povo médio, ou medíocre, que dá na mesma. Mesmo com esse sistema industrial de produção de pessoas medianas, todos sabemos que esse sistema é falho. Conheço muitas pessoas que são os verdadeiros analfabetos funcionais e que nem imaginam o que é ser um analfabeto funcional.

Sempre que estou com um certo grupo de amigos, caímos no assunto educação e outro dia chegamos num papo bem interessante sobre educação democrática. É uma abordagem diferente da que temos no sistema industrial, que enxerga o conhecimento como algo orgânico e não como um sistema fechado e linear. Um dos melhores exemplos desse tipo de educação é a Escola da Ponte, criada em Portugal e que funciona até hoje no mesmo modelo, e eu tenho quase certeza que é um modelo que pode ser usado aqui também e, acima de tudo, pode ser replicado e ampliado para que possa ser acessível a todos, mesmo.

Acho que o negócio é esse. Não posso concordar com esse sistema educacional que temos mas também tenho certeza de que nunca se deve parar de estudar. Estudar não é somente ir à escola ou faculdade. E também não pode se restringir ao conhecimento científico. Conseguir compreender o mundo à sua volta e interagir com ele de uma forma postiva também pode ser um estudo diário para todos nós.

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Sentimentos dominicais ambíguos

Olá a todos.

Já faz um tempo que eu não posto nada por aqui e não foi por falta de assunto ou por falta de textos prontos. Tenho alguns guardados e assuntos diversos na minha cabeça, mas preferi guardá-los comigo para evitar algumas coisas.

De qualquer forma, aconteceu um fato nesse fim de semana que eu faço questão de compartilhar com vocês.

Sábado teve festa no terreiro por causa da cerimônia de batismo e o pessoal aproveitou para fazer a festa junina junto. Tudo certo e tudo muito bacana. Todo mundo feliz, muitos doces e comidas. Vimos que a quantidade de bolo feita era ridiculamente grande para o número de pessoas que estavam no terreiro naquele dia e coube a mim arrumar um destino para o bolo de cinco quilos que ficou intacto ao final da festa. Isso não foi problema algum, já que sempre que possível eu vou visitar o pessoal da Casa Maria Helena Paulina.

Essa casa acolhe e dá abrigo para crianças com câncer e que, de alguma maneira estão fazendo tratamento em São Paulo. Todas elas vem de todos os cantos do país já que em suas cidades e estados não existe condição ou infraestrutura para dar um tratamento digno para todos eles. Eles desenvolvem um trabalho muito bacana, de verdade, porque sem essa casa essas crianças não teriam como ficar em São Paulo por meses por causa do tratamento. Tudo por lá é mantido por meio de doações e como eles não aparecem na Globo, como não fazem parte de nenhum programa social patrocinado por alguma celebridade, acho que dá para imaginar a dificuldade que é para manter tudo muito limpo, as crianças alimentadas, vestidas e medicadas.

Quando passo por lá sempre tento ficar um tempo com as crianças para brincar um pouco, conversar ou simplesmente fazer companhia. Nesse domingo eu fui com o meu filho junto para que ele pudesse brincar um pouco por lá e comer um pedaço de bolo também. Fomos bem recebidos e conhecemos crianças ótimas, com histórias incríveis de vida e que são o motivo principal desse post.

Conheci a Milena, deve ter uns 10-11 anos, que não sabe ao certo se é do Amazonas ou do Acre porque a cidade dela é “meio” na divisa dos dois estados e como é tudo selva, ninguém sabe ao certo a localização no mapa. Ela veio para São Paulo há quase um mês agora e tem feito o tratamento direitinho. Dizem os médicos que mais uns meses e ela estará ótima de novo e poderá voltar para casa, devendo retornar a São Paulo só para manutenção. Fiquei feliz por ela. Não deve ser fácil ter 10 anos, ter câncer, ficar longe de casa, família, amigos por tanto tempo.

Conheci também uma outra menina, um pouco mais velha que o João Francisco, ela tem 3 anos e meio de idade, está com leucemia em um estágio que não dá para ser revertido e os médicos acreditam que tudo o que poderia ser feito já foi feito e que ela tem alguns meses, talvez um ano de vida ainda.

Conversei com a Tânia, que é a governanta da casa e que mantém tudo em ordem por lá. Lembrei de uma menina que eu costumava visitar sempre e que virou uma pequena amiga que eu tinha lá. Para a minha grande surpresa e alegria, eu fiquei sabendo que a minha amiguinha das antigas já está uma moça, linda, noiva e que vai casar até o fim do ano.

Ganhei meu dia. Acho que ganhei meu ano, para dizer a verdade.

Mas continuo com o sentimento ambíguo de pensar em algo para melhorar tudo por lá.

Queria mais gente comigo nisso, se der.

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CARTA ABERTA AOS SECRETÁRIOS DA EDUCAÇÃO E DA GESTÃO PÚBLICA DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Pessoal,

Reproduzo, abaixo, uma carta aberta de um grande amigo que tem passado por maus bocados nas mãos desse governo facista. Por favor, me ajudem a divulgá-la para o maior número de pessoas.

Obrigado!

CARTA ABERTA AOS SECRETÁRIOS DA EDUCAÇÃO E DA GESTÃO PÚBLICA DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Caros Secretários Herman Jacobus Cornelis Voorwald e Julio Semeghini,

Meu nome é Pedro Ramos de Toledo e venho por meio desta missiva externar meu profundo desagrado com a posição do Governo do Estado referente aos professores obesos aprovados em concurso da Rede Estadual de Ensino. Após um ano e meio de processo seletivo, no qual fomos submetidos a duas provas eliminatórias e a um curso de formação com avaliações semanais, vemo-nos surpreendentemente proibidos de exercer a profissão de professor, um sonho para muitos de nós.

Sou obeso e, como muitos outros que sofrem da mesma condição, também fui considerado inapto para exercer o magistério. A pessoa obesa sofre cotidianamente com a discriminação social. Somos considerados feios, preguiçosos e mal-ajambrados. Não raro o obeso é motivo de piadas ao tentar passar por uma catraca ou uma porta giratória, ou mesmo vítima de hostilidade ao ser obrigado a se esgueirar no meio da multidão em estabelecimentos e transportes públicos lotados. Estamos sujeitos a conviver diariamente com troças, forma debochada de desprezo e, diferentemente de outras “minorias”, encontramo-nos em condição especialmente vulnerável, pois não contamos com entidades de defesa de nossos direitos civis ou campanhas de conscientização contra o preconceito.

Se o quadro já é desolador, o Poder Público do Estado de São Paulo, na contramão das políticas inclusivas que alicerçam a luta dos Direitos Civis em nosso país, decide limitar a cidadania de todo um grupo social, tornando-nos, aos olhos do mundo, cidadãos de segunda classe. A exclusão de obesos na avaliação do Departamento de Perícias Médicas é uma afirmação categórica de concordância com todos os estereótipos preconceituosos com os quais os obesos são estigmatizados. Legalizou-se a discriminação.

Caros Secretários, até o momento as desculpas dadas pelo Poder Público são pífias. Afirmar que tais laudos se sustentam exclusivamente em critérios médicos é de uma pobreza intelectual atroz. Foucault já chamou a atenção para o papel disciplinador e coercitivo dos discursos “científicos”, que foram utilizados seguidas vezes, ao longo da História, como “fatos irrefutáveis” para justificar as mais diversas atrocidades. Hoje o “gordo” é a bola da vez. Mas, não faz muito tempo, os mesmos médicos e cientistas diziam – amparados por dezenas de “pesquisas sérias e quadros estatísticos” acima de qualquer suspeita – que os negros, índios e povos mestiços eram geneticamente inferiores aos povos nórdicos. Tal afirmação tornou-se um regime de verdade que sustentou pavorosas políticas de embranquecimento e deu fôlego para doutrinas eugenistas por todo o mundo. Sob a máscara da neutralidade científica, regimes de verdades essencialmente reacionários puderam se infiltrar nos aparatos coercitivos da sociedade e justificar práticas abertamente preconceituosas. O que ocorre agora é exatamente o caso.

Diversos obesos têm relatado situações de constrangimentos e humilhações durante a perícia médica: Uma professora, ao ser avisada que reprovaria no exame, já sob forte tensão, foi obrigada a ouvir um sermão sobre “como ela estava deformando o seu corpo”; outra, após explicar que engordou ao ter dado a luz ao seu primeiro filho, ouviu como resposta que “ela comia como se ainda estivesse grávida”. Eu mesmo fui obrigado a ouvir que “ninguém quer um funcionário balofo como você”. Este é o nível dos profissionais que nos vem julgando. Subterrâneo.

Não faço aqui uma apologia da obesidade, Secretários. Sei dos riscos à saúde que a obesidade traz, bem como do desconforto em que vive o obeso. No entanto, é lamentável que minha capacidade profissional seja sumariamente desqualificada por ser “balofo”. É humilhante ser tratado como um incapaz. É aviltante ser vítima de preconceito. As Secretarias perderam uma excelente oportunidade de começar a mapear, através do Departamento de Perícias Médicas, servidores com problemas de peso para oferecer-lhes oportunidades de tratamento. Ao invés, preferiram cortar fundo com a navalha da exclusão. Esse episódio grotesco mostra como um regime de verdade científico pode agir como ferramenta de opressão e preconceito. Mais um episódio a figurar entre incontáveis medidas que caracterizam a péssima relação entre a atual administração e os profissionais da educação.

Mesmo o discurso que parte do ponto de vista da boa administração é patético. Se é do interesse público vetar pessoas obesas de ingressar no funcionalismo estadual para não assumir riscos de afastamentos e custeio de possíveis futuros tratamentos para os professores admitidos, tal interesse também deveria abarcar fumantes, idosos, pessoas estrábicas, hipertensos, anoréxicos, soropositivos, portadores de necessidades especiais etc. Poderíamos extrapolar e estender tal restrição às mulheres em idade fértil, que estão sujeitas à maternidade e consequente licença. De todo um universo social, composto por pessoas dotadas de histórias e condições diversas, as pessoas obesas foram selecionadas arbitrariamente, sem qualquer lei ou resolução que fundamente juridicamente tal seleção. Novamente, discriminação.

Sou obeso. E sou plenamente capaz de exercer a profissão de professor. Minha formação acadêmica provém de uma das mais conceituadas instituições de Ensino Superior do país e, posso garantir-lhes, é absolutamente sólida. Tenho a dedicação necessária para lecionar, a ponto de superar um concurso público longo e estressante e o fato de a carreira magisterial ser há muito desvalorizada; tenho a vontade necessária, a ponto de abrir mão de um emprego estável cujos rendimentos são maiores do que aquilo que receberei na rede; tenho plena convicção de que a carreira do magistério é a mais nobre de todas as profissões e que não será nos tribunais ou nos salões atapetados dos gabinetes e escritórios, mas nas salas de aula espalhadas pelos rincões deste país, que transformaremos nossa nação na potência tão sonhada pelas gerações que nos antecederam. Não pensem por um único momento que exista qualquer alternativa de desenvolvimento que passe ao largo dos professores. Não há.

Caros Secretários, é um fato que sou obeso. No entanto, antes disso sou um brasileiro que ama sua terra e que quer fazer sua parte. Parem de atrapalhar e se afastem. Gordos ou magros, nós professores temos muito que fazer. Temos um país inteiro para construir.

Grato por sua atenção,

Pedro Ramos de Toledo, 34

Professor de História nomeado para a Rede Pública de Ensino do Estado de São Paulo e Obeso.

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Errado pra caralho!

Já comecei esse texto diversas vezes no computador e em todas elas acabei apagando tudo. Vou escrever agora em meu caderno para ver se consigo terminar isso de uma vez por todas.

Tenho andado revoltado, mal humorado e até mesmo disperso de uns tempos pra cá. Ando pensando constantemente que ao mesmo tempo em que muitos programas sociais têm dado certo, a economia brasileira está firme, o desemprego diminuindo e eteceteras, tenho visto um aumento vertiginoso da babaquice da classe média braisleira, principalmente da paulista. “São Paulo para Paulistas”, “Movimento pela Supremacia Cristã”, declarações racistas, preconceituosas, homofóbicas e todo o resto, atrás de uma falsa “liberdade de expressão” mostra o quanto essa gentinha é vazia, desinformada, tosca, supérfula e todo e qualquer adjetivo que demonstre o quanto são imbecis. Essas coisas de gente vazia, de comportamento cretino, que acha que o Google é a única fonte de conhecimento do mundo, que acredita em arquivo PPT de corrente via Internet e que anda por aí com o rei na barriga achando normal tudo isso.

Um amigo meu é categórico quando conversamos sobre o assunto. Para ele, o grande problema é a educação e como a escola está estruturada da mesma forma desde a revolução industrial. A minha visão é um pouco diferente e vai um pouco além. Para mim essa moda de as pessoas hoje passarem mais tempo se autopromovendo do que qualquer outra coisa acaba criando uma verdadeira horda de gente que só enxerga o próprio umbigo e que acaba criando seus próprios mundinhos com suas próprias leis e valores. Quem não conhece aí um falido que posta foto de tudo quanto é viagem por aí criando uma imagem deturpada da realidade? Ou ainda aqueles filhos da puta que ficam posando de bom moço para ficar agradando o sogro rico e poderoso em troca de dinheiro fácil de um banco de idoneidade questionável?

Nos últimos dias eu tenho visto comentários cada vez mais idiotas e típicos de uma classe média paulistana sobre os acontecimentos do Rio de Janeiro. Alguns comentários são engraçadíssimos porque beiram o absurdo, outros são engraçados porque são feitos por comediantes mesmo.

Agora é interessante saber que a classezinha média e seus wannabes estão colocando as manguinhas de fora ao se mostrarem tão preconceituosos e racistas como sempre foram mas que tinham deixado de falar por conta do politicamente correto, tão importante na autopromoção, não é mesmo, minha gente?

O triste é que tem muito pobre bagaceira que acha que faz parte dessa classe média paulistana, que acha que entende de política porque votou no Serra para a Dilma não ganhar e depois xingou os nordestinos, que acha que é culto porque assistiu meia dúzia de filme de ação em 3D, que acha que Tropa de Elite é documentário e por aí vai. Esse termo “pobre bagaceira” era bastante usado pelo pessoal da minha turma, lá nos anos 90 quando falávamos daquelas pessoas que colocam a melhor roupa do armário para ir ao shopping, que ficavam falando alto no celular para mostrar que tinham um (sim, teve uma época que ter um celular custava caro). Os pobres bagaceira hoje estão na classe média e esqueceram completamente de como era a vida quando eram uns fodidos.

É ótimo se sentir superior, né?

Chega até a ser engraçado, vide o exemplo do Zina do Pânico. Ou vocês acham realmente que ele é comediante? A classe média gosta mesmo é de se sentir superior e a memória é curta. Ridicularizar uma pessoa é se sentir superior, é garantia de audiência na classe média e é garantia de bons contratos de patrocínio. Lembra do genro do poderoso do banco duvidoso? É um caso perfeito de pobre bagaceira! Antes não tinha onde cair morto porque nunca soube trabalhar direito. Depois de dar o golpe, digo, depois de casar, a agência do cara começou a receber uma grana colossal para os mais diversos projetos inúteis. Hoje, o cara tem um carrão e acha que pode gritar com todo mundo, incluindo aí os sócios da agência, sem contar que hoje ele é o dono de quase tudo por lá e isso foi resolvido no grito.

Excelente, não?

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Tô um velho de merda

É triste ter de admitir isso e muitos dos meus amigos vão dizer um “ah vá, só você não sabia”. Mas o caso não é que eu não sabia, eu apenas não admitia. Pois acho que agora é o momento. Virei um velho rabugento. Há!

Não era nada dramático ou catastrófico, era só uma simples conclusão de um cara que um dia pensou que ia viver de skate, depois de música e que hoje tem um emprego ordinário para pagar as contas no fim do mês.

Estava com a Cínthia num desses shoppings por aí e comecei a reparar que a turminha jovem me incomoda. Reações histéricas, visual andrógeno-pseudo-viado, etc., me irritam mais do que um dia já irritaram. Existia um grupinho em uma mesa na praça de alimentação tirando uma caralhada de fotos com o celular fazendo sempre a MESMA pose. Certeza mais que certeza que essas fotos vão popular em algum álbum do Orkut que tem 3 linhas de descrição do perfil e 4000 fotos, quase todas com a mesma pose. A Cínthia estranhou quando eu comecei a rir sozinho, mas era porque eu estava rindo de mim mesmo. Eu tinha começado a ter pensamentos que começavam com “Na minha época”, “Quando eu tinha essa idade”, “Se fosse no meu tempo” e mais um monte de pensamentos velhos e de velhos.

É isso. Tô velho, velho pra caralho. Acho uma merda esses moleques que acham que punk é fazer chapinha no cabelo enquanto xingam os emos de viado. Acho uma merda a família restart e acho uma puta falta de sacanagem essa juventude viada de hoje.

Coitado do João Francisco, esse sim tá fodido na minha mão quando virar adolescente.

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